21.6.10

Dizer adeus é morrer um pouco...


   Seu rosto parece cansado, sente-se e tome um pouco.

   Não precisamos ficar de porre, se não quiser.
   Pegue um trago, você vai morrer um dia mesmo, que diferença faz?
   Sabe, preciso de uma mala...
   É disso que precisamos quando vamos embora e não temos muito a levar, não é mesmo?
   É, acho que realmente preciso de uma mala, não muito pequena, obrigada.
   Tudo parece menos nítido do que antes.
   Porra!Tudo que eu queria era saber que merda isso vai dar!
   Desculpe, acho que aqueles goles me subiram rápido demais.
   O que você ainda está fazendo aqui?
   Não quero mais ver você, é mais fácil assim, eu acho.
   Você sabe que me corrói só de pensar nessa situação toda.
   E estou começando a achar que você gosta disso.
   Sabe, sadismo só é legal com os outros.
   Me dê a droga da mala e um pouco de tempo!
   Eu preciso disso, agora, vamos, ande logo!
   Não gosto de agir assim com você, mas no final das contas você vai apenas me dar falsas lágrimas.
   Como todos os outros...
   Foda-se!
   Tome mais um gole, ele vai te ajudar a engolir tudo isso.
   Engula toda a hipocrisia que te rodeia e que você vem adquirindo ultimamente.
   Talvez eu esteja exagerando.É só uma mala a ser feita.
   São só uma droga de sonhos que serão deixados pra trás.
   Por que diabos isso me atormenta?
   Vou inventar um jeito mais fácil de resolver tudo isso.
   Talvez minha mala não tão pequena dê adeus a você.
   É, pode ser que assim seja mais fácil.
   Por que eu não darei nenhum maldito adeus.
   São só alguns milhares de quilômetros.
   Mas ninguém pensa em você nessas horas.
   Você apenas tem que fazer a vontade dos outros.
   Mudar de vida, assim, num piscar de olhos.
   Um dia aqui e no outro você já está mais longe do que devia.
   Afinal não estará ao meu lado.
  Enfim, minha mala (ainda não comprada) agora se despede de você, como se você fosse só mais um objeto, assim como ela.

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